Especial Toca Raul! – Parte 3 – A morte do Maluco Beleza

A série Toca Raul! chega a seu momento mais importante, a data é importante e não dá pra falar sobre tudo o que foi Raul Seixas para o rock, para o Brasil e para mim.
Há exatos 20 anos na madrugada do dia 20 para o dia 21 de agosto o rock brasileiro perdia um de seus maiores, senão o maior ícone: Raul Seixas.
Em 1989 Raul estava muito debilitado: diabético e com pancreatite causada pelo alcoolismo, morava sozinho em um pequeno apartamento em São Paulo.
Estava muito desmotivado, e foi outro rockeiro baiano, Marcelo Nova que conseguiu dar ânimo a Raul e em parceira com o band leader do Camisa de Vênus, Raulzito fez turnê pelo Brasil no primeiro semestre de 1989.
A dupla ainda gravou um LP: A Panela do Diabo. Uma triste coincidência é que esse LP chegou as lojas justamente no dia 21 de agosto de 1989.
Depois de falar sobre como conheci e comecei a gostar da obra de Raul e de seus melhores discos, hoje, sem planejar nada vou escrever minha “opinião formada” sobre Raul Seixas.
Raul foi um cara multifacetado. Não dá pra falar de rock brasileiro sem citar Raul Seixas.
Um verdadeiro admirador do country e blues estadunidense, se inspirou em Chuck Berry, Jerry Lee e Elvis Presley, entre outros, para surgir para o mundo musical ainda na Bahia com o conunto The Panthers.
O The Panthers logo se transformou em Raulzito e os Panteras, com esse nome a banda gravou o que seria o primeiro disco de Raul Seixas, homônimo, o álbum continha canções singelas, bem diferentes das canções posteriores de Raul, destaque para Você Ainda Pode Sonhar, versão de Lucy In The Sky With Diamonds, dos Beatles.
Depois desse disco, Raul foi pro Rio de Janeiro, mas não pra cantar, virou produtor musical e produziu discos de cantores como por exemplo Jerry Adriani.
Mas aí surge a figura de um grande cantor e compositor (que logo terá seu espaço aqui no Un Quimera), Sérgio Sampaio, conterrâneo de Roberto Carlos, o capixaba era um grande amigo de Raul e incentivava o Maluco Beleza a cantar.
O incentivo foi tanto que os dois, juntos com Edy Star e Miriam Batucada formaram a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista (com K mesmo).
Essa sociedade produziu um LP super escrachado, com críticas muito irônicas a sociedade das época, canções como Aos Trancos e Barrancos, Todo Mundo Está Feliz e Dr. Paxeco mostravam toda a sagacidade e irreverência de Raul.
Mas essa seria apenas a primeira das grandes “sociedades” na vida de Raul, depois desse LP, Raul resolveu cantar mesmo e em 1973 lançou Krig-ha, Bandolo!, seu primeiro álbum solo.
Como já disse na segunda parte do especial, o álbum foi o primeiro da carreira solo e pra mim o melhor de todos, daria pra falar de todas as canções, mas destaco How Could I Know, Metamorfose Ambulante e Ouro de Tolo.
Depois disso Raul trilhou um caminho cheio de altos e baixos, grandes canções e grandes polêmicas: Sociedade Alternativa, exílio, prisão, críticas, censura.
Raul viveu em um período conturbado da história brasileira e usando de muita inteligência e ironia soube deixar sua marca.
Em relação aos supostos pactos com o diabo, as mudanças de religião, aos vários casamentos acho melhor nem falar nada. Sim, tudo isso influiu e muito na obra de Raulzito mas essa obra é muito maior do que tudo isso.
Por mais que existam críticas, e pessoas que acham Raul apenas um louco barbudo, não dá pra negar sua importância e influência para o rock e para a música em geral.
Interessante também é essa conclusão do jornalista Silvio Essinger:
“Sempre há uma canção de Raul Seixas para algum momento da vida”
Pra hoje por exemplo: Hoje é feriado é o Dia da Saudade!
Saudade de algo que nunca vi: nasci em 1992 e portanto não presenciei nada de Raul Seixas, mas as músicas e as ideias dele sobrevivem e por isso conheço, gosto e sinto saudade desse baiano.
Por essas e outras é que na semana que vem, na última das quatro partes do Especial Toca Raul! vou falar sobre o legado do Cowboy fora da Lei, até lá.
Pra fechar o post uma clássica apresentação de Raul na Praia do Gonzaga, em Santos, ano de 1984:

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