América Platina ou Decepção Azul

Quando eu escrevi o post falando sobre a Libertadores, antes da competição começar indiquei o Cruzeiro como um dos grandes favoritos ao título, o time argentino do Estudiantes também aparecia no post mas apenas como um time que deve chegar mais longe, dessa vez, diferentemente da Copa do Brasil, eu errei.
A equipe de La Plata que estreou perdendo para o mesmo Cruzeiro, no mesmo Mineirão por 3 x 0, foi se recuperando aos poucos na competição, tomou apenas 2 gols depois das Oitavas de Final e conseguiu seu quarto título de Libertadores: 68,69,70 e agora 2009.
Foi a quinta final seguida entre brasileiros e argentinos na Libertadores em que os “hermanos” venceram (Velez em 1994, Boca em 2000, 2003 e 2007 e agora o Estudiantes).
Além disso, foi a segunda final seguida que um time brasileiro ficou com o vice, o Fluminense havia perdido para a LDU no ano passado.
Mas como isso foi acontecer?
Pouquíssima gente esperava a derrota desse bom time do Cruzeiro, ainda mais jogando em casa.
Vamos ao jogo:
Após um 0 x 0 no primeiro jogo em La Plata, quem ganhasse levaria e empate provocaria prorrogação.
Ambos os times entraram tensos em campo, clima de final de Libertadores, Brasil x Argentina é sempre complicado.
Mas, aos poucos, enquanto a torcida do Cruzeiro, que lotou o Mineirão, não empurrava o time devido a toda essa tensão, o Cruzeiro foi ficando cada vez mais tenso e o Estudiantes foi relaxando, soube catimbar na hora certa, e não se acovardou em momento algum, buscava sempre o ataque e no fim do primeiro tempo, nenhuma grande chance pra nenhum dos dois lados, mas o Estudiantes era melhor.
Na volta para o segundo tempo a tônica do jogo parecia que continuaria da mesma maneira que estava no primeiro tempo, porém, com apenas 6 minutos, o volante Henrique do Cruzeiro bateu de fora da área, a bola desviou e entrou no canto direito de Andújar, Cruzeiro 1 x 0 e festa azul no Mineirão.
Esse gol parecia que iria dar mais tranquilidade ao time, a história da Libertadores de 97, última que o Cruzeiro conquistou, parecia que iria se repetir.
Porém, nada disso aconteceu.
O aguerrido time do Estudiantes nem sentiu o gol sofrido, pra eles era como se nada tivesse acontecido e 5 minutos depois do gol, Verón, o maestro desse time, achou o lateral Cellay livre na direita, este cruzou no meio e Gastón Fernández empatou o jogo.
Era como se o gol cruzeirense não tivesse valido nada. Com o 1 x 1 no placar o jogo voltava a situação de primeiro tempo, Cruzeiro muito tenso e Estudiantes sabendo controlar muito bem o jogo, sabendo jogar dentro do Mineirão contra o Cruzeiro, coisa que poucos sabem.
Aí, aos 27 minutos, num escanteio cobrado por Verón, o artilheiro da Libertadores, Mauro Boselli, subiu de cabeça, fez seu oitavo gol na competição e fechou o placar: Estudiantes de La Plata 2 x 1 Cruzeiro.
Depois disso o Cruzeiro até que tentou, Thiago Ribeiro acertou uma pancada no travessão, mas o título já era dos “pinchas”, apesar de tudo, do favoritismo azul, o time argentino fez um grande jogo ontem e mereceu o título, a defesa sólida, com o ótimo Andújar no gol, que pouco trabalhou, e com Desábato e Schiavi, ambos muito mau vistos aqui no Brasil, mas que jogaram muito bem, o ataque fez o que deve fazer, cada um dos dois atacantes fez um gol, e no meio é que estão as grandes feras desse time, Pérez que dá a movimentação, Braña que marca muito bem e ele, Juan Sebastian Verón, “La Brujita”, que voltou da Europa pra ganhar esse título com o Estudiantes, clube de “La Bruja”, seu pai Juan Ramon Verón.
Em relação ao Cruzeiro, indiscutivelmente foi melhor durante toda a competição, passou tranquilo na primeira fase e eliminou São Paulo e Grêmio no mata-mata, porém na hora da final não foi aquele grande time, que tinha Ramires (o camisa 8 se despediu ontem, agora é jogador do Benfica), Wágner, que contava com as chegadas fulminantes de Jonathan e que tinha um
indomável Gladiador lá na frente.
Ninguém funcionou nessa final, apenas Fábio no primeiro jogo onde salvou tudo e mais um pouco.
Porém, na minha visão de jogo, o que faltou na verdade para o Cruzeiro foi RAÇA.
A equipe é muito boa e entrou em uma situação favorável nesse segundo jogo, e não entrou de salto alto, respeitou o time do Estudiantes, mas entrou muito nervosa no jogo e foi dando espaço pra esse bom time argentino fazer o jogo dele.
A torcida via tudo isso apática e o time não conseguia imprimir raça digna de uma final de Libertadores, parecia um jogo comum de Campeonato Mineiro, os caras tinham que ir buscar bola lá na Lagoa da Pampulha, suar sangue mesmo, e eu não vi isso, e enquanto eu não via isso, via nos olhos dos jogadores argentinos mais raça do que tudo, alguém aí já pensou há quanto tempo o Cruzeiro não perdia de virada dentro do Mineirão?
Foi um verdadeiro “Minerazo”, mas apesar dessa decepção o time do Cruzeiro é muito forte e com toda certeza brigará pelo título do Brasileirão, mesmo sem Ramires e mesmo sem Libertadores.
Só resta agora parabenizar o Estudiantes e principalmente “La Brujita”.

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